terça-feira, 7 de outubro de 2008

Gestos e preces.


Eu vou entregar pra Iemanjá...
eu vou pedir pra ela abençoar...

...esse amor que tudo constrói e tanto desfaz.
que enterra a dor e descobre sorrisos.
que engrandece e eleva.
que cria...essa vontade de ser maior;
Esse amor que já não enxerga, não ouve e emudece.
Esse amor que não finge, que não se curva;
que se desprende e se governa.

Eu vou entregar aos anjos...
vou solicitar que guardem...

...esse zelo. esse dengo.. esse medo da voz perdida, das mãos vazias e da sombra que caminha sozinha pela ruas...
a pieguice que se insinua. a meninice que persiste. a sabedoria que encanta. a verdade que se insurge.
Que os anjos acolham e que ensinem...
que é de hoje em diante; da morte ao renascimento; da dor à cura; do naufrágio à salvação. e que não se volvam o brilho dos olhos...

Eu vou guardar num pote de vidro...
vou eternizar....

...a suavidade do ser, enquanto o peito se inflama...
...de sonhos, planos, certezas e quadros - os que se pinta só, os que se pinta junto, os que se pinta amando.
vou eternizar as explicitações. as mãos dadas. os cheiros dos vários perfumes. as cores da timidez. os carinhos mais ardentes. o chocolate do liquidificador ou do cabelo que se exala. os tamanhos dos sorrisos [imensuráveis!]. as canções que embalam. as estripulias desarmadas. as almas entregues. a constante vontade de estar, de viver e de abraçar...

Eu vou manter no coração a pulsação mais forte e nos lábios a leveza mais terna do que já é conhecido pela humanidade inteira: o são-inconsciente estado de amar...

domingo, 13 de julho de 2008

Emptidão.


Pensar cansa.
E tudo pode virar pesadelo.
Antes eu sabia o que fazer, por onde ir, porque continuar....
...mas sabe quando as coisas começam a virar enigma?
E olhar pra dentro de si é a última das coisas que você escolheria fazer?

Porque abdicar é mais cômodo.
e o "deixa a vida me levar" ganha seu sentido...
Porque já faltam forças até pra questionar e sobra o medo das supostas respostas
dos rasbiscos do meu lápis;
da oficina da minha imaginação...

É. Tá certo...ninguém nunca disse que seria fácil.
Só queria viver em vez de sobreviver...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Pitadas de "rebeldia"...

[imagem: Liniers Macanudo]
...levemente distribuídas, perigosamente inflamadas.

Porque insistir em colher frutos de uma fonte esgotada? Todas as possibilidades já foram exploradas. Não teria como ser diferente...o horizonte já se concebeu limitado. Qualquer tentativa de exorbitação seria frustração certa ou confirmação de utopia. Não que utopias sejam ruins. Elas têm sua razão de existir. Mas em um caso assim, elas frustram porquem iludem...e pra esse horizonte não há mais extensões.

Talvez seja só mais uma situação de resignação: respeito às diferenças humanas. Fazer o quê se as impressões de mundo são diversas? Porque enquanto alguns condenam alteridade como ingenuidade, outros vêem no brilho do olhar de um vizinho a chance real de auto-satisfação. Por entre julgamentos e rótulos; verdades absolutas e pontos de vista metódicos/racionais, as percepções de pequenos mundos ou análise de micro-realidades se perdem...se ofuscam. O "legítimo" esmaga qualquer chance de o "possível" e "ideal" se manifestar.

Loucos ou tolos são os que se assumem em causas, que se identificam com sonhos ou que se fundamentam em razões desprovidas de "lógica", alheias a livros ou léxicos gramaticalmente fixados. Pagam como criminosos por se furtarem do comum. Padecem de sua "sanidade" fora do padrão, como vítimas de doenças sociais e afins.

O sensivelmente perceptível ficou piegas. E de pieguices vivem corações, como esmurecem na falta delas. De toques, melodias, risos e lágrimas almas se compõem e se sustentam. Há falta de sensatez nisso? Será mais adaptado o reprodutor de senso comum, pré-fabricado na selva? E psico-emocionalmente modificados os que de toque humano perecem? Felizes os que, ao som do silêncio, da "boa vontade" se enchem pra mascarar...mascarar o factual das sujeiras jogadas aos cantos, relegadas a segundo plano. Tão visíveis, tão cruéis! Obscuras, omitidas...

Humanos - aqueles que dessa condição não se esquivam - perdõem-nos! Eles não sabem o que fazem.