segunda-feira, 17 de março de 2008

Rotina.


Veste-me com a melhor roupa.
Despe-me até a alma.
Finge. Desdenha. Insatisfaz.
O sol nasce sempre mais cedo.
E se põe na mesma velocidade.

Deturpa. Bagunça. Confunde.
Inebria. Encanta. Desencanta. Joga fora.
As mãos estão sempre vazias.
E o peito cheio de nada.
Um nada tão profundo...

Uma posse despossuída.
Só os olhos mais alertas podem ver.
O lixo se acumula. O lixo está no chão.
O chão é o limite. E o lixo se vai.

Em qual bueiro foi parar meu coração?

quarta-feira, 5 de março de 2008

Entre laranja e limão.


Minutos de um dia qualquer
Oh como eles podem ser doces e suaves!!
Como podem ser delicadamente traiçoeiros
e covardes...

Eles passam, sem consideração pelo que ficou
e pelo que ainda pode ser.
Quem disse que o tempo se preocupa com sorrisos, rugas, ou tentativas frustradas?
Ele responde, cura, antecipa, retarda, inconsequentemente. Mas passa.
Desfila pela dor, pela angústia, pela solidão...

Solidão...O tempo não lhe é páreo.
Nem importa quem é o vencido ou o vencendor.
Tempo e solidão são farinha do mesmo saco, células de um mesmo tecido.
Tão substantivos, que parecem palpáveis.
Tão abstratos, que sublimam. Tão reais e cruéis que torturam.

Quem sabe ser só, não teme o tempo.
Quem espera, não resiste à solidão.
Quem vive, se submete às inconstâncias do "Senhor da Razão"
e se sujeita aos dissabores do vazio inevitável.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Redirecionando...


Hora de fazer promessas pro ano que se aproxima, renovar sentimentos válidos, retomar coisas importantes - outrora deixadas de lado - ou mesmo rever conceitos...
- Nada mais que manuntenção de tradições! É só mais um ano que entra e que terminará como outro qualquer...
- Mas não deixa de ser um reinício...uma nova chance que a vida oferece...porque não criar expectativas pra esse novo recomeço?

Expectativas...palavra que causa arrepios!! Porque esperar não mais faz sentido. Sequer diverte! E essa é a hora em que todos os pensamentos se voltam pra si...o espiríto parece mais egocêntrico que nunca...porque no próximo ano se espera encontrar o grande amor, ou a grande oportunidade de emprego, quem sabe superar problemas mal resolvidos, passar no vestibular ou ainda fazer aquela viagem... Isso é o comum; o geral!
Dessa vez, ser comum parece ser o mais acertado. Façamos uma lista de coisas que se objetivam para os próximos 365 dias...

Expectativas
expectativas
expectativas...

Só que com um diferencial: quem sabe dessa vez o "agente da passiva" seja necessariamente termo indispensável à voz reflexiva. Explico:
"Eu, ainda confiante na "raça" humana, espero apenas de mim mesma, embora isso pareça contraditório!"*

E quem disse que algum dia me importei com contradições??

Aí me sinto na obrigação de encerrar essa bobagem individualista com o cliché (mal necessário, às vezes):
- Não há amor mais verdadeiro que o amor próprio!**...brada o coração menos pulsante que em outros tempos.

*o destaque dos termos dispensa qualquer intervenção gramatical. Espera-se!
** dúvida remanescente: será que há reciprocidade??